Pterossauros gigantes também voavam sobre a Antártica

Escrito em: 25 de maio de 2026

Por: Júlia Vitória Rocha Moreira Brasil

Imagine olhar para o céu da Antártica no fim do Período Cretáceo e ver, além de dinossauros e outros répteis em terra, grandes pterossauros sobrevoando a paisagem. É exatamente isso que um estudo publicado por Alexander W. A. Kellner e colaboradores ajuda a mostrar. Ao descrever dois fósseis encontrados nas ilhas James Ross e Vega, na Península Antártica, os autores reforçam que esses répteis voadores de grande porte também habitavam regiões mais austrais do planeta. 

O primeiro fóssil, chamado MN 7800-V, foi encontrado em na ilha James Ross. Mesmo bastante incompleto, ele preserva características anatômicas compatíveis com a parte distal de uma falange da asa de um pterossauro. Já o segundo, MN 7801-V, foi encontrado em Vega Island e foi interpretado como um metacarpo da asa, provavelmente o quarto metacarpo, um dos ossos mais importantes para sustentar a membrana de voo. 

Os pesquisadores observaram que os dois ossos têm paredes muito finas, uma característica típica dos pterossauros. No caso do material de James Ross, a análise histológica também ajudou na identificação, porque a microestrutura óssea é compatível com a de pterossauros já conhecidos. Embora os fósseis não permitam uma classificação mais precisa, os fósseis indicam que os animais pertenciam ao grupo Pterodactyloidea, que reúne formas mais derivadas e frequentemente maiores. 

As estimativas sugerem animais impressionantes. O exemplar de James Ross pode ter pertencido a um pterossauro com envergadura entre 3 e 4 metros. Já o material de Vega Island talvez pertença a um indivíduo ainda maior, com algo entre 4 e 5 metros de envergadura. Isso significa que a Antártica do Cretáceo abrigava grandes voadores, e não apenas formas pequenas e ocasionais. 

O estudo também é importante por outro motivo, ele mostra como fósseis fragmentários podem ter grande valor científico. Em ambientes de campo difíceis, como a Antártica, é comum encontrar restos incompletos e fora de posição original. Ainda assim, com comparação anatômica, análise microscópica e contexto geológico, é possível tirar conclusões relevantes sobre a distribuição dos organismos no passado. 

No fim, a principal mensagem do artigo é clara, grandes pterossauros pterodactiloides viveram na região da Península Antártica desde pelo menos o Santoniano-Campaniano (há cerca de 80 milhões de anos) até o final do Cretáceo (66 milhões de anos). Além disso, os autores destacam que esses são os primeiros materiais antárticos de pterossauros descritos de forma detalhada. É uma descoberta que ajuda a preencher uma lacuna importante na história evolutiva desses animais e mostra que eles conseguiram ocupar praticamente todas as partes do planeta.


Texto fonte: Kellner, A.W.A.; Rodrigues, T.; Costa, F.R.; Weinschütz, L.C.; Figueiredo, R.G.; Souza, G.A.; Brum, A.S.; Eleutério, L.H.S.; Mueller, C.W.; Sayão, J.M. (2019). Pterodactyloid pterosaur bones from Cretaceous deposits of the Antarctic Peninsula.
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Disponível em: https://www.scielo.br/j/aabc/a/CcYBLYkgDhfJfvQDNdRxK4m/?lang=en.

Fonte e legenda da imagem de capa: MN 7801-V, interpretado como o metacarpo da asa direita (?) coletado na Ilha Vega, em vista (a) anterior, (b) ventral, (c) posterior e (d) dorsal. 
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Texto revisado por: Natália Medeiros e Alexandre Liparini.

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