Escrito em: 22 de outubro de 2025
Por: Ana Júlia Marinho
Pesquisadores brasileiros revelam um fóssil que está mudando o que sabemos sobre a origem dos dinossauros: o Gondwanax paraisensis, um réptil encontrado no Sul do Brasil que viveu há 237 milhões de anos, no Período Triássico. O fóssil encontrado é um dos “silesaurídeos” mais antigos do mundo e um dos precursores de dinossauros mais antigos da América do Sul. Os silesaurídeos são como “primos” dos dinossauros, sendo fundamentais para entendermos a evolução da linhagem que daria origem a eles.
O nome Gondwanax significa “senhor do Gondwana”, em referência ao supercontinente que existia na época e ao domínio que a linhagem dos dinossauros alcançaria milhões de anos depois. Mas o que torna este “senhor” tão especial?
A grande surpresa está na anatomia do animal. O fóssil, estudado pelo paleontólogo Rodrigo Temp Müller da UFSM, revelou que este réptil já possuía três vértebras sacrais, que são os ossos que ligam a coluna vertebral à bacia. Embora pareça um detalhe técnico, essa característica é crucial: essa característica, que garante mais suporte e estabilidade, era considerada uma ‘inovação’ dos dinossauros mais desenvolvidos. Encontrar essa estrutura em um ancestral tão antigo sugere que a evolução da locomoção na linhagem dos dinossauros foi mais complexa e aconteceu mais cedo do que se imaginava.
Outra novidade é que o Gondwanax é a evidência mais antiga de que dois tipos diferentes desses “primos dos dinossauros” conviviam no mesmo local na América do Sul. Essa descoberta pôde ser feita a partir da análise da combinação de características nos ossos da perna. O fêmur do Gondwanax tem particularidades que o distinguem de outros silesaurídeos conhecidos, indicando um modo de andar e correr único. Essa coexistência em Paraíso do Sul (RS) mostra que, mesmo em seus estágios iniciais, os ancestrais dos dinossauros já haviam se dividido em nichos ecológicos distintos, ou seja, eles viviam lado a lado, mas com hábitos diferentes.
Em resumo, o Gondwanax não é apenas um novo fóssil descoberto, mas também um projeto que desafia a ciência a questionar os modelos evolutivos já estabelecidos. A descoberta consolida a pesquisa brasileira como referência mundial e reforça a Formação Santa Maria como um dos locais mais importantes para decifrar as complexas origens da vida pré-histórica.
Texto fonte: Müller, R.T. (2025). A new “silesaurid” from the oldest dinosauromorph-bearing beds of South America provides insights into the early evolution of bird-line archosaurs. Gondwana Research, v. 137, p. 13-28. DOI: 10.1016/j.gr.2024.09.006
Disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1342937X24002764
Fonte e legenda da imagem de capa: Representação da fauna Triássica no Sul do Brasil: Representação artística de como seria a paisagem do Sul do Brasil há aproximadamente 237 milhões de anos. A ilustração mostra a convivência de três espécies cruciais para entender a origem dos dinossauros: O recém-descoberto Gondwanax paraisensis (o novo “primo do dinossauro” em estudo), o Gamatavus antiquus (outro “silesaurídeo” da mesma região) e O Parvosuchus aurelioi (um réptil ancestral da linhagem dos crocodilos).
Disponível em: Artigo fonte. Matheus Fernandes Gadelha.
Texto revisado por: Fernanda Moreira Batitucci e Alexandre Liparini.