Escrito em: 27 de Outubro de 2025
Por: Erik Marques Rodrigues
A fotossíntese é o processo em que seres vivos utilizam a luz solar como fonte energia para realizar suas atividades, vários organismos diferentes utilizam este mecanismo, como por exemplo, bactérias, algas e plantas. Em grande parte, a fotossíntese é vista apenas como o processo que utiliza a energia da luz solar para quebrar moléculas de água, liberando oxigênio molecular (O2) e elétrons que mantêm o fluxo de energia na célula, porém a fotossíntese é um processo que abrange vários outros mecanismos de obtenção de energia através da luz solar. O processo de fotossíntese que utiliza moléculas de água para manter o fluxo de energia na célula e libera oxigênio, é chamado de fotossíntese oxigênica e surgiu durante o início da era Paleoproterozoica, entre 2.500 e 1.600 milhões de anos.
Atualmente, a fotossíntese oxigênica é o processo dominante de produção de matéria orgânica, servindo de base para a existência de muitos seres vivos, porém nem sempre foi assim. Antes do surgimento da fotossíntese oxigênica, já existiam várias formas de fotossíntese anoxigênica, que não utiliza água como doadora de elétrons e portanto não liberando oxigênio. Em vez disso, as bactérias fotossintéticas ancestrais utilizavam outras moléculas presentes nos oceanos primitivos ao invés da água e com isso liberavam outros produtos derivados dessas moléculas. Uma forma primitiva de fotossíntese realizada pelas bactérias era um processo chamado de Fotoferrotrofia, neste processo a luz era a principal fonte de energia e as células utilizavam a forma reduzida do ferro, o íon ferroso [Fe(II)], como doador de elétrons para manter o fluxo de energia no sistema, gerando como produto o íon férrico [Fe(III)].
A água líquida na Terra surgiu há 4,3 bilhões de anos e então a vida começou a se desenvolver nos oceanos durante o tempo geológico chamado Arqueano que abrange de 4 a 2,5 bilhões de anos. Durante o Arqueano, os oceanos eram ricos em ferro reduzido, oriundo de atividades tectônicas que potencialmente era oxidado por processos que incluem a fotoferrotrofia e era convertido na sua forma insolúvel que se acumulava no fundo do oceano e deu origem às Formações Ferríferas Bandadas (BIF) que atualmente formam os maiores depósitos de ferro do mundo e foram predominantemente formados durante o Arqueano através da deposição de ferro insolúvel dos oceanos ferruginosos.
Após esse período, o oceano passou por transição para um oceano rico em compostos de enxofre, que também impactou na geração de energia pelo seres vivos, como a fotossíntese anoxigênica que utiliza compostos de enxofre ao invés de ferro. E apenas depois de todos esses processos de adaptação dos organismos fotossintéticos é que houve o surgimento da fotossíntese oxigênica como conhecemos hoje! Como a água era altamente abundante, esses organismos tiveram vantagem evolutiva e se proliferaram enormemente por volta de 2,33 bilhões de anos atrás no evento da Grande Oxidação, onde os oceanos foram totalmente tomados pelo oxigênio, que antes era inexistente ou escasso.
Texto fonte: Camacho, A., Walter, X. A., Picazo, A., & Zopfi, J. (2017). Photoferrotrophy: Remains of an Ancient Photosynthesis in Modern Environments. Frontiers in microbiology, 8, 323. doi: 10.3389/fmicb.2017.00323.
Disponível em: https://doi.org/10.3389/fmicb.2017.00323
Fonte e legenda da imagem de capa: Formações Ferríferas Bandadas (BIFs) de Kuhmo na Finlândia mostrando as alternâncias das camadas de quartzo e os óxidos de ferro.
Disponível em: https://pt.geologyscience.com/ramos-de-geologia/geologia-mineira/bifs-com-forma%C3%A7%C3%B5es-ferr%C3%ADferas-em-faixas/.
Texto revisado por: Ana Luísa Ferreira, Alexandre Liparini e Sandro Ferreira de Oliveira.