Os Therizinossauros e a evolução de suas grandiosas garras

Escrito em: 05 de dezembro de 2024

Por João Vitor Ferry

Os Therizinossauros eram um grupo de dinossauros que viveram no final do período Cretáceo (143 a 66 milhões de anos atrás), na região que hoje corresponde à Ásia. Eles pertenciam aos terópodes, o mesmo grande grupo que inclui os famosos raptores e tiranossauros. Muitas vezes, em diversas mídias, tais dinossauros eram caracterizados como grandes máquinas agressivas que atacavam outros animais com suas grandes garras sem pensar duas vezes.  No entanto, diferentemente de muitos de seus parentes, que eram carnívoros e atuavam como caçadores ou carniceiros, os Therizinossauro estavam em um processo evolutivo voltado para um estilo de vida herbívoro.

Eles eram animais de grande porte, medindo até 10 metros de comprimento, 5 metros de altura e pesando entre 3 e 5 toneladas. Apesar do tamanho, possuíam um crânio pequeno com um bico córneo no topo de seu longo pescoço. Além disso, caminhavam de forma bípede e tinham uma grande barriga, adaptada para digerir plantas. Sua característica mais marcante, que dá origem ao seu nome (Therizinossauro, ou “Lagarto Foice”), são suas impressionantes garras. Essas magníficas estruturas, que podiam medir até 80 centímetros, geram diversas discussões entre os pesquisadores sobre quais seriam suas principais funções.

Existem várias hipóteses acerca de como os Therizinossauros usavam suas garras. As principais incluem a possibilidade de retirar cascas de árvores e arrancar vegetação. O paleontólogo inglês Stephan Lautenschlager publicou um estudo em 2014 que analisou a morfologia e a diversidade no uso das garras dos Therizinossauros. Nesse estudo, por meio de análises biomecânicas e comparações com garras de mamíferos modernos (nos quais o uso das garras é mais bem compreendido), foi possível testar hipóteses específicas sobre o uso dessa curiosa estrutura.

De acordo com o pesquisador, existia uma ampla diversidade funcional no uso das garras entre as diferentes espécies de Therizinossauros. No entanto, não foi identificada uma correlação clara entre a morfologia das garras e uma função específica. Segundo a análise, as garras curtas e compactas, como as das espécies Alxasaurus e Erliansaurus (outros terópodes com garras relativamente longas), eram usadas de forma generalista, enquanto as garras alongadas e aumentadas, como as das espécies Therizinosaurus e Beipiaosaurus, não eram otimizadas para funções fossoriais. Em vez disso, esse “design” de garras parecia ser mais adequado para alcançar e puxar vegetação durante a alimentação.

Diante disso, é evidente que as garras desses animais eram adaptadas para auxiliar em um hábito de vida herbívoro. Funções como combate ou exibição sexual ainda são totalmente negligenciadas pela falta de evidências, mas isso não descarta a possibilidade de que essas estruturas poderiam ter sido usadas como recurso de defesa. Além disso, o dimorfismo sexual,ou seja, diferenças entre machos e fêmeas nessa estrutura, também não foi encontrado no registro fóssil.

Por fim, umas das únicas coisas que é possível afirmar com certeza com todas essas informações é de que os Therizinossauros não eram máquinas de matar como já foram caracterizados por causa de suas garras. Na verdade, eram animais herbívoros que não as utilizavam pro combate, já que mesmo que muito impressionantes, elas não possuíam a rigidez necessária para a perfuração da pele de outros dinossauros.

Texto fonte:  Lautenschlager, S. (2014). Morphological and functional diversity in therizinosaur claws and the implications for theropod claw evolution. Proceedings of the Royal Society B: Biological Sciences, [online] 281(1785), p.20140497. doi:https://doi.org/10.1098/rspb.2014.0497.

Disponível em: https://royalsocietypublishing.org/doi/10.1098/rspb.2014.0497 acessado em: 05/12/2024

Fonte e legenda da imagem de capa: https://pt.wikipedia.org/wiki/Therizinosaurus#/media/Ficheiro:Therizinosaurus_Restoration.png

Representação paleoartística de um Therizinossauro da espécie Therizinosaurus cheloniformis.


Texto revisado por: Fernanda Moreira Batitucci e Alexandre Liparini.

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