Dentes encontrados no Maranhão podem nos revelar mais do que pensamos!

03 de julho de 2022

Por: Filipe Aguiar Resende

Durante a escavação da borda leste da Bacia de São Luís-Grajaú, foram encontrados 72 dentes orais de raias do gênero Iscyrhiza, um feito inédito e extremamente interessante, sabe por quê? Essa descoberta, além de possibilitar o estabelecimento de dois subtipos do gênero, também ampliou a diversidade de espécies de raias ligadas a essa região, além de estender a distribuição deste gênero até o Cretáceo Inferior, o que antes era impossível!!

Você sabe o que estava acontecendo no mundo durante o período do Cretáceo? Bem, os continentes tinham “acabado” de serem divididos novamente, os dinossauros viviam sob a Terra e foi nessa época que ocorreu a tão famosa queda do meteoro que extinguiu os dinossauros, que todos conhecemos. E no Brasil, temos grandes amostras do Cretáceo em seu registro fóssil, este período durou de 145 a 66 milhões de anos e seus fósseis são encontrados principalmente em bacias equatoriais, como a bacia de São Luiz do Grajaú. O local preserva indícios da separação do continente Africano do Americano, e lá já foram documentadas rochas de todo o período.

Para essa escavação, os pesquisadores utilizaram um método que envolveu a coleta de rochas, a triagem, a desagregação química, e posterior lavagem, chamado de Screenwashing. O material estudado se trata de uma amostra de idade Mesoalbiano (cerca de 110 milhões de anos), que pesava cerca de 500 gramas, coletada em 2001 pela equipe de Paleontologia do Museu Paraense Emílio Goeldi. Amostra que, por sua vez, foi encontrada à margem do rio Itapecuru.

O gênero de Raias Ischyrhiza possuía doze espécies descritas até então, distribuídas na América do Sul, do Norte, na Europa e em poucos locais da África. Sua distribuição temporal se dava desde o início até o final do Cretáceo Superior, ou seja, durante o intervalo de 93,5 – 66 Ma. Portanto, o registro de Ischyrhiza para o Grupo Itapecuru, datado no cretáceo inferior (112 – 103 Ma), torna-se o registro mais antigo do gênero descrito até o momento!!!

Além dessa novidade temporal, os dentes encontrados não coincidem com o de nenhuma espécie descrita até então, ampliando assim a diversidade desses peixes, descritos para a unidade em questão.

Artigo fonte: FONTES, Neuza Araujo; SANTOS, Heloísa Maria Moraes; COSTA, Sue Anne Ferreira. (2012). Ocorrência de Ischyrhiza (Batoide: Sclerorhynchidae) para o grupo Itapecuru, Cretáceo (Albiano) do estado do Maranhão, BrasilBrazilian Geographical Journal: Geosciences and Humanities research medium, v. 3, n. 1, p. 2. Disponível em: https://seer.ufu.br/index.php/braziliangeojournal/article/view/14173. Acessado em: 14/12/2022

Fonte e legenda da imagem de capa: Exemplo de fóssil de raia da família Sclerorhynchidae, com dentes rostrais. Autoria de Hectonichus. Extraída de commons.wikimedia.org. Disponível em: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Sclerorhynchidae_-_Libanopristis_hiram.JPG. Acessada em: 14/12/2022.

Publicado por Alexandre Liparini

Mineiro, gaúcho, sergipano, e por que não, alemão? No caminho sempre a paleontologia como paixão e agora como profissão. Adora dar aulas e pesquisar sobre origens e evolução. Se esse for o tema, podem perguntar, por que não?

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