Descoberta de pesquisadores pode indicar que a origem da vida na Terra aconteceu milhões de anos antes do que previamente pensado

15 de maio de 2022

Por: Lucas Vieira Carvalho Souza

Uma das grandes questões que circundam a mente humana e provavelmente circundou durante grande parte de nossa existência é relativo à origem da vida em nosso planeta: Quando tivemos a primeira indicação de que a matéria não viva se transformou em um organismo vivo em um passado distante? Essa dúvida é sanada com base na procura e registro de fósseis, os quais devem estar contidos em rochas muito, mas muito antigas.

Convencionalmente, o registro mais antigo é de mais ou menos de 3,5 bilhões de anos atrás, no éon Arqueano, e consiste em fósseis sedimentares encontrados na Austrália de organismos unicelulares organizados em colônias com formas de linhas.

Contudo, uma descoberta recente no Canadá feita por pesquisadores pode indicar que a origem da vida em si aconteceu antes do que achávamos, podendo ter acontecido há 3,75 e 4,28 bilhões de anos atrás, já no éon Hadeano, que é o éon (intervalo de tempo geológico) mais antigo da escala de tempo geológico. Essa nova data estipulada consiste em apenas 300 milhões após a formação do planeta Terra, sugerindo o desenvolvimento biológico bem rápido, em conjunto com a paisagem geológica primordial.

Os resultados desse trabalho científico iniciaram quando esses pesquisadores coletaram algumas amostras de rochas das mais antigas da Terra e descobriram nessas amostras esferas, filamentos, ramificações e outras estruturas microscópicas que se assemelham muito àquelas deixadas por alguma atividade microbiana.

Ainda assim, não se pode descartar a possibilidade de que essas estruturas sejam resultado de algum metamorfismo da rocha ou alguma intrusão de algum líquido, mesmo que menos provável. Nesse caso, essa descoberta ainda fornece características que podem ser interpretadas como de “quase vida” ou prébiotica, indicando um marco importante da origem biológica dos fósseis.

Artigo fonte: Dominic Papineau, Zhenbing She, Matthew S. Dodd, Francesco Iacoviello, John F. Slack, Erik Hauri, Paul Shearing e Crispin T. S. Little. (2022). Metabolically diverse primordial microbial communities in Earth’s oldest seafloor-hydrothermal jasper. Science Advances, v. 8, n. 15. DOI: 10.1126/sciadv.abm2296 <Clique aqui para acessar o artigo fonte>

Fonte e legenda da imagem de capa: (A – F) Imagens de microscópio e ilustração microscópica de amostras de rocha com estruturas que se assemelham à atividade microbiana ancestral. (G) Pequeno gráfico o qual consiste de uma análise do tamanho das estruturas observadas. Figura extraída do artigo fonte.

Publicado por Alexandre Liparini

Mineiro, gaúcho, sergipano, e por que não, alemão? No caminho sempre a paleontologia como paixão e agora como profissão. Adora dar aulas e pesquisar sobre origens e evolução. Se esse for o tema, podem perguntar, por que não?

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