Cientistas utilizam de técnicas incomuns para estudar fósseis encontrados na Bacia do Araripe

19 de janeiro de 2021

Por: Daniel Jaques Rosário

Pesquisadores utilizaram de técnicas não são usuais ao estudar fósseis de peixes que viveram há aproximadamente 100 milhões de anos atrás para analisar os materiais encontrados na Bacia do Araripe. As técnicas de raios X e a espectroscopia foram utilizadas para caracterizar os materiais presentes nas escamas dos peixes encontrados, com objetivo de descobrir informações sobre a salinidade e temperatura das águas onde viviam os organismos dessa época.

A Bacia Sedimentar do Araripe, localizada no sul do Ceará, é um dos principais depósitos fossilíferos do Brasil. Isso se dá devido às condições ambientais do local àquela época serem favoráveis ao processo de fossilização, como a ausência ou escassez de fungos e bactérias aeróbias decompositoras. Há rochas sedimentares nessa bacia pertencentes ao Membro Romualdo, localizado na parte superior da formação geológica Santana. Formadas durante o período Cretáceo, essas rochas possuem nódulos onde alojam-se diversos fósseis de diferentes grupos animais, comumente muito bem preservados. A maioria das pesquisas envolvendo os fósseis desse período restringem-se à prospecção e identificação dentro de procedimentos clássicos na Paleontologia. Ainda há poucos trabalhos que envolvem a análise dos materiais desses fósseis através das técnicas de raio-X e de espectroscopia. No estudo em questão foram combinados tanto os procedimentos clássicos quanto as técnicas descritas para caracterização dos materiais.

O nódulo rochoso encontrado foi extraído por escavação controlada e aberto com a utilização de um martelo geológico. A medida da difração dos raios-x foi feita na Universidade Federal do Ceará (UFC), do departamento de física. Já as medidas de espectroscopia foram realizadas na UNESP, no Departamento de Física, Química e Biologia, localizado na Faculdade de Ciências e Tecnologia.

O exemplar encontrado cujo material foi utilizado nesse estudo é um indivíduo da espécie Rhacolepis bucalis, comumente encontrada na Formação Santana. A partir da análise dos materiais feita com espectros infravermelhos e com difração de raios-X foi possível dizer que a composição das escamas do fóssil é predominantemente de Carbonato de Cálcio (CaCO³) e uma pequena quantidade de fosfato de cálcio Hidróxido (Ca5(PO4)3(OH)). Essa descoberta indica que houve substituição dos materiais originais, como proteínas e gorduras, pelo material mineral. O mesmo processo também poderia levar à deposição de sílica, pirita ou limonita.

Artigo fonte: Lima, R.J; Saraiva, A.A; Lanfredi, S; Nobre, M.A; Freire, P.T; Sasaki, J.M. (2007). Caracterização espectroscópica de peixe do período cretáceo (Bacia do Araripe). Química Nova, São Paulo , v. 30, n. 1, p. 22-24. Doi: 10.1590/S0100-40422007000100005 <Clique aqui para acessar o artigo fonte>

Legenda e fonte da imagem: A – Nódulo de onde foi extraído o fóssil utilizado nesse estudo. B – Imagem de parte do peixe estudado. (Extraída e modificada do artigo fonte).

Publicado por Alexandre Liparini

Mineiro, gaúcho, sergipano, e por que não, alemão? No caminho sempre a paleontologia como paixão e agora como profissão. Adora dar aulas e pesquisar sobre origens e evolução. Se esse for o tema, podem perguntar, por que não?

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