Escrito em: 06 de dezembro de 2024
Por Isabelle C. dos Reis
Você já ouviu falar do Tubarão-branco? Esse é o nome popular do Carcharodon carcharias, uma espécie de tubarão lamniforme (animais que pertencem à classe Chondrichthyes). Esses animais são encontrados em praticamente todo o globo, apesar de serem mais frequentes em mares de regiões temperadas. Eles são os peixes cartilaginosos mais longevos, podendo viver 70 anos ou mais. São animais grandes podendo atingir de 4 a 6 metros de comprimento, e considerados como um dos maiores predadores marinhos.
Apesar de serem predadores de topo de cadeia alimentar em muitos ambientes marinhos, esses animais apresentam um hábito social interessante: a existência de “berçários”. Esses berçários são regiões onde os indivíduos imaturos nascem, crescem e residem até atingirem a maturação sexual, oferecendo aos espécimes jovens recursos alimentares abundantes e proteção contra predação.
Os tubarões brancos são animais com origem no registro fóssil que remontam ao início do período Neógeno, há 23,03 milhões de anos atrás. Apesar de possuírem um rico registro fóssil de indivíduos adultos (compostos majoritariamente por dentes), a preservação das fases de vida mais jovens é muito rara. O conhecimento sobre a localização dos berçários e o comportamento das fases juvenis desses animais na natureza já são bem limitados atualmente, e quando se trata de registros paleontológicos essas informações são quase nulas.
No entanto, uma pesquisa conduzida por pesquisadores da Universidade de Viena e outras universidades e centros de pesquisa do Chile, descobriu a primeira evidência da existência de berçários fósseis dos tubarões brancos em regiões da América do Sul. O achado elucidou a ocorrência de berçários paleontológicos que datam da época Plioceno, entre 5,33 e 2,58 milhões de anos atrás, localizados na Formação Coquimbo, no Chile.
A localidade de Coquimbo apresentou um rico registro de restos fósseis de indivíduos filhotes e juvenis, além de restos de outros peixes, que podem ter servido como alimento para os tubarões imaturos, apresentou também fósseis de invertebrados e vertebrados marinhos de águas tipicamente rasas, expondo a possibilidade de essa formação ter sido uma área marinha rasa, protegendo, assim, os jovens dos ataques de predadores maiores, coisa que também é observada nos berçários atuais.
A descoberta dessas regiões de berçários paleontológicos dos tubarões brancos é um grande achado, que nos possibilita desvendar detalhes evolutivos dessa espécie, comparar os padrões comportamentais desses indivíduos no passado e presente e compreender a diversidade biológica e a ecologia desses animais do passado geológico do planeta Terra.
Fonte e legenda da imagem de capa:
Autoria Própria.
Representação de um berçário de Tubarão branco na época Plioceno, na Formação Coquimbo, contendo exemplares de filhotes e juvenis de Tubarão branco e outras espécies encontradas na mesma região e época. Imagem meramente ilustrativa e sem representação de escala exata.
Texto fonte: Villafaña, J.A., Hernandez, S., Alvarado, A. et al.(2020). First evidence of a palaeo-nursery area of the great white shark. Sci Rep 10, 8502 . https://doi.org/10.1038/s41598-020-65101-1.
Disponível em: https://www.nature.com/articles/s41598-020-65101-1#Abs1, acessado em: 05/12/2024
Texto revisado por: Fernanda Moreira Batitucci e Alexandre Liparini.