Possível Toca Fóssil de Peixe Pulmonado Descoberta em Minas Gerais: Implicações Paleobiológicas e Paleoambientais

Escrito em: 07 de dezembro de 2024

Por: Marcos Paulo Pimenta da Cruz

Pesquisadores brasileiros descobriram uma possível paleotoca atribuída a um peixe pulmonado na Formação Adamantina, no município de Ituiutaba – Minas Gerais. Essa formação geológica data do Cretáceo Superior (Turoniano-Santoniano, ~90 milhões de anos) e é conhecida por abrigar fósseis de dinossauros terópodes, crocodiliformes e outros vertebrados. 

No entanto, registros de paleotocas de vertebrados são pouco comuns e relativamente pouco estudadas nessas formações. Assim, essa descoberta fornece novas pistas sobre as condições ambientais e contribui para ampliar o registro fóssil local, evidenciando a possível existência de peixes pulmonados que podem ter habitado a região há milhões de anos atrás.

Diversos organismos são capazes de escavar o solo, dando origem à buracos ou túneis,  geralmente utilizados como abrigo, permanente ou temporário, para reprodução ou proteção.  No caso de peixes pulmonados, essa adaptação é datada desde o Devoniano e a produção dessas tocas geralmente indica períodos de seca, em que esses animais escavavam o solo para se abrigar e sobreviver em estado de dormência, conhecido como estivação, reduzindo sua taxa metabólica e a necessidade por oxigênio.

A paleotoca encontrada apresenta uma forma simples, semelhante a um frasco, medindo cerca de 35 centímetros de profundidade e 32 centímetros de largura e sua estrutura interna encontrava-se preenchida por sedimentos que se acumularam ao longo do tempo, possivelmente devido a inundações. Além disso, fragmentos ósseos foram encontrados em seu interior, no entanto, dados mostram que eles não são do animal que a escavou. 

A análise da paleotoca, bem como a análise sedimentar do local em que foi encontrada é de extrema importância, uma vez que os dados obtidos podem ajudar a esclarecer como era o clima local no passado, assunto que é amplamente debatido. Nesse sentido, a descoberta reforça hipóteses anteriores de que o clima na região da Formação Adamantina era predominantemente seco, com episódios ocasionais de inundação. 

Além disso, ainda que estudos mais detalhados sejam necessários, atribuir a toca à um peixe pulmonado é de grande relevância para reconstruir os antigos ecossistemas de nosso país e compreender como diferentes espécies interagiam com o ambiente, além de ampliar o registro desse grupo na formação geológica em questão, o que enriquece ainda mais a paleofauna brasileira e contribui para o melhor entendimento da mesma.

Texto fonte: Rangel, C. C., Francischini, H., Rodrigues, S. C., Netto, R. G., Buck, P. V., & Sedorko, D. (2022). A possible lungfish burrow in the Upper Cretaceous Adamantina Formation (Bauru Basin, Brazil) and its paleoecological and paleoenvironmental significance. Revista Brasileira De Paleontologia, 25(3), 167–179. https://doi.org/10.4072/rbp.2022.3.01.

Disponível em: https://sbpbrasil.org/publications/index.php/rbp/article/view/336.

DOI: https://doi.org/10.4072/rbp.2022.3.01.

Fonte e legenda da imagem de capa: Figura 1 do artigo. Registro da paleotoca e localização em que foi encontrada.

Disponível em: https://sbpbrasil.org/publications/index.php/rbp/article/view/336.


Texto revisado por: Ítalo Augusto de Oliveira Barboza, Sandro Ferreira de Oliveira e Alexandre Liparini.

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