Dinossauros X Mosquitos: A batalha invisível que marcou a Era Mesozoica

Escrito em: 25 de novembro de 2024

Por: Júlia Paula Rabelo

Sabe-se que os dinossauros tiveram grande sucesso evolutivo, eles existiram entre 230 a 65 milhões de anos atrás, vivendo por uma extensa história de 165 milhões de anos, muito mais larga que a da espécie humana, que conta com, no máximo, apenas 300 mil anos aproximadamente. Contudo, uma curiosidade pouco conhecida é que, tal qual nós humanos sofremos cotidianamente, essas espécies também foram vítimas de pequenos “predadores”, conhecidos popularmente como mosquitos.

    Embora os dinossauros tenham sim um destaque e uma conquista do ecossistema por toda a Era Mesozoica, sobretudo no período Jurássico, eles não eram as únicas espécies habitando a Terra nesse período. Os insetos surgiram bem antes deles, a cerca de 350 milhões de anos atrás e coevoluíram com vários vírus e outros microrganismos patogênicos, tornando-se importantes transmissores de patógenos, inclusive no passado. Dentro desses insetos, se destacavam os mosquitos e os flebótomos, que são hematófagos(seres que se alimentam do sangue de outros) e, durante o repasto sanguíneo, podiam transmitir algumas espécies de parasitos por meio da saliva. 

   Esses insetos não se intimidaram com a grandeza dos dinossauros e começaram a atacá-los, principalmente aqueles dinossauros que possuíam peles mais finas e com penas. Mesmo as espécies como pele mais grossa não escapavam desses mosquitos, uma vez que esses pequenos artrópodes conseguiam picar entre as escamas grossas de queratina desses animais. Portanto, todos estavam suscetíveis à picada desse assassino, afinal, em uma época sem repelente, inseticidas e roupas, os dinossauros não tinham proteção alguma contra os mosquitos.

    Essa relação entre grandes e pequenos seres foi inferida pelo descobrimento espécimes de dípteras (ordem das moscas e pernilongos, por exemplo) conservados em âmbar, uma resina vegetal polimerizada, que continham sangue com DNA de dinossauros e tinham o material genético de uma das espécies do parasita causador da malária, que, posteriormente, também foram encontrados em coprólitos e no vaso sanguíneo de um tiranossauro. Isso prova que os dinossauros sofreram os impactos do Plasmodium sp., que conseguiu superar o sistema imunológico desses organismos, por ser causar diferentes respostas imunológicas e sintomas nos seres vivos. Além disso, se formos analisar o clima da Terra na época dos dinossauros, percebemos que era o ambiente ideal para a reprodução dos mosquitos, sendo quente e úmido. Ou seja, os dinossauros estavam totalmente suscetíveis aos efeitos da grande concentração de insetos hematófagos do período Jurássico.

Por fim, há diversos artigos científicos que firmam a ideia de que os dinossauros foram extintos pelo impacto do meteoro Chicxulub e por atividades vulcânicas intensas na Terra. Entretanto, é interessante pensar que a malária pode ter debilitado essas espécies e ter contribuído com seu declínio, originando espaço para a ascensão dos mamíferos. Assim, numa Era dominada por gigantes e implacáveis, os pequenos e silenciosos mosquitos mostraram-se mais adaptados ao meio ambiente e às mudanças do mesmo.

Texto fonte:  WINEGARD, Timothy C. O mosquito: a incrível história do maior predador da humanidade. Tradução de Alves Calado. São Paulo: Intrínseca, 2020.

Disponível em: https://statics-americanas.b2w.io/produtos/4754459070/documentos/4754459070_1.pdf

ISBN:  978-65-5560-510-5

Fonte e legenda da imagem de capa: Arquivo Pessoal. (Ilustração feita por Júlia Paula Rabelo, 2024); Ilustração colorida de um dinossauro sendo picado por um mosquito, em uma paisagem semelhante ao senso comum de como era o período Jurássico.

Disponível em: https://www.science.org/doi/10.1126/sciadv.adk6320.


Texto revisado por: Luís Filipe Cardoso Queiroz e Alexandre Liparini.

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